A linguagem do Barroco.

O que é o Barroco?

"Barroco", uma palavra portuguesa que significava "pérola irregular ,com altibaixos".

A Linguagem do Barroco é provocadora e rebelde, uma vez que retrata a inquietação, a inconformidade do homem e o seu conflito do corpo e da alma, da razão e da fé (dualismo e contradição) em virtude do contexto histórico em que se insere, especialmente no que respeita ao Renascimento e à Contrarreforma.
         

        Tendências
  • Cultismo - É o chamado jogo de palavras. Nele está presente o formalismo e o vocabulário rebuscado, bem como o emprego frequente das figuras de linguagem.
  • Conceptismo - É o chamado jogo de ideias. Nele está presente o raciocínio e o pensamento lógico.

Figuras de Linguagem

Dentre os recursos mais utilizados pelos autores do Barroco, se destacam as seguintes figuras de linguagem:

Antítese

Utilização de conceitos opostos. Foi o recurso mais utilizado no Barroco.
Exemplo:
“de vossa alta clemência me despido;
Se basta a vos irar tanto um pecado,” (Gregório de Matos)
Antítese: clemência x ira

Paradoxo

Utilização de expressões contraditórias ou absurdas.
Exemplo:
“Pequei, Senhor, mas não porque hei pecado,” (Gregório de Matos)

Barroco: a expressão ideológica da Contrarreforma
De maneira geral, o Barroco é um estilo identificado com uma ideologia, e sua unidade resulta de atributos morfológicos a traduzir um conteúdo espiritual, uma ideologia.
A ideologia barroca foi fornecida pela Contrarreforma e pelo Concílio de Trento, a que se deve o colorido peculiar da época, em arte, pensamento, religião, concepções sociais e políticas.
Podemos compreender o Barroco como uma contrarreação a essas tendências sob a direção da Contrarreforma católica, numa tentativa de reencontrar o fio perdido da tradição cristã, procurando exprimi-la sob novos moldes intelectuais e artísticos. O duelo entre o elemento cristão e o elemento pagão é que dá o dualismo, a oposição ou as oposições, contrastes e contradições, o estado de conflito e tensão, oriundos do duelo entre o espírito cristão, antiterreno, teocêntrico, e o espírito secular, racionalista, mundano, que caracterizam a essência do barroco.

A literatura barroca e a propagação da fé católica
O Concílio de Trento, que durou de 1545 a 1563, ligou ainda mais estreitamente a Igreja católica e as monarquias ibéricas, imbricando Igreja e Estado de tal forma que os interesses e funções de ambos muitas vezes se confundiam.
Como Espanha e Portugal tinham ficado fora das reformas protestantes, foi neles que se concentrou a reação católica. Tratava-se de combater toda e qualquer manifestação que lembrasse algum traço dos movimentos protestantes e, ao mesmo tempo, de formular e difundir uma doutrina oficial católica. Além disso, impunha-se participar da expansão ultramarina ibérica, com a finalidade de expandir também o catolicismo. A literatura deveria participar dessa disputa ou dessa guerra, afirmando e reproduzindo no plano do sensível tudo aquilo que a Igreja pregava no plano do inteligível. O que não quer dizer que a literatura se tenha reduzido a isso. Mas para sua aceitação e difusão, deveria passar por isso, demonstrar de alguma forma sua adequação às funções de afirmação e propagação da fé católica.

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